Antes de fechar o primeiro pedido com um fabricante chinês, uma dúvida surge: quanto vou pagar de imposto? A resposta direta é que não existe uma alíquota única.
Importar produtos funciona como a montagem de um orçamento de construção civil. O custo final depende de diversos fatores que trabalham em conjunto, incluindo categoria do produto, classificação fiscal (NCM), estado de destino e logística internacional.
Por isso, antes de negociar com fornecedores chineses, desenvolver um projeto de private label ou até mesmo definir o preço final do seu produto em uma loja virtual, por exemplo, é importante entender como a tributação funciona na importação empresarial.
Não confunda importar com comprar produtos como Pessoa Física
Com a popularização do AliExpress e da Shein, muita gente passou a associar importação às compras internacionais feitas nestes marketplaces estrangeiros.
Em 2026, inclusive, houve mudanças envolvendo a chamada “taxa das blusinhas”, relacionada às remessas internacionais de pequeno valor destinadas ao consumidor final. Mas esse modelo não deve ser confundido com a importação empresarial.
Empresas que importam produtos da China para revenda ou uso operacional seguem regras diferentes, enquadradas na chamada importação formal.
Nesse cenário, como explicamos anteriormente, a tributação é determinada pela classificação do produto e pelo regime aduaneiro utilizado. Ou seja, importar insumos agrícolas, eletrônicos ou maquinário industrial envolve uma estrutura tributária própria e muito mais complexa.
Quais os principais impostos para empresas importarem da China?
Na importação formal, os principais tributos são Imposto de Importação, IPI, PIS-Importação, Cofins-Importação e ICMS. Além deles, existem custos operacionais ligados ao processo logístico e documental.
Imposto de Importação (II)
O Imposto de Importação incide sobre a entrada da mercadoria no país e é calculado sobre o valor aduaneiro, que considera o preço do produto, o frete internacional e o seguro.
A alíquota varia conforme a classificação fiscal do produto, definida pelo código NCM, e pode oscilar entre 0% e 35%. Têxteis e vestuário costumam ter percentuais mais elevados, enquanto determinados equipamentos industriais podem contar com carga reduzida ou regimes específicos.
Uma peça de roupa, um painel solar e uma máquina de produção, portanto, são tributados de formas completamente diferentes.
Para descobrir a alíquota do seu produto, basta acessar o simulador da Receita Federal com o código NCM em mãos.
Vale destacar que, a partir de 2023, o governo aplicou uma redução de 10% sobre diversas alíquotas da Tarifa Externa Comum, medida que foi mantida e incorporada na revisão de 2025. Em 2026, muitos produtos já operam com percentuais inferiores aos valores históricos.
Imposto sobre Produtos Industrializados
O IPI também incide sobre produtos importados. Uma forma simples de entender esse tributo é pensar nele como uma tributação relacionada ao grau de industrialização e à categoria da mercadoria: quanto mais supérfluo ou menos essencial o produto, maior tende a ser a alíquota.
A base de cálculo considera o valor da mercadoria somado ao Imposto de Importação já aplicado. As alíquotas variam conforme a classificação do produto na tabela TIPI, vinculada ao código NCM, e podem ir de zero até percentuais bastante elevados em categorias específicas, como bebidas alcoólicas, perfumaria e veículos. Produtos considerados essenciais pelo governo, como medicamentos e determinados insumos industriais, costumam ter alíquota reduzida ou isenção total.
Por esse motivo, não é possível indicar uma alíquota única de IPI. O caminho correto é consultar a TIPI com o NCM do produto, da mesma forma que se faz para o Imposto de Importação.
PIS e COFINS
O PIS e a Cofins são contribuições federais que também fazem parte da tributação da importação formal. Eles incidem sobre a nacionalização da mercadoria e compõem o custo total da operação, funcionando como parte do conjunto tributário aplicado à entrada de produtos no Brasil.
Uma forma simples de entender essas contribuições é imaginar que elas participam da “camada fiscal” da importação, somando-se aos demais tributos que precisam ser considerados no planejamento financeiro da compra internacional.
Percentuais médios em 2026:
PIS-Importação: 2,1%
Cofins-Importação: 9,65%
ICMS
Este é o imposto estadual e, para muitos importadores, o mais impactante de todos. Ao contrário dos outros citados aqui, é calculado “por dentro”, ou seja, o próprio ICMS entra na base de cálculo do imposto.
Funciona como uma conta circular, o que eleva consideravelmente o valor final. As alíquotas variam entre 12% e 20%, dependendo do estado de destino da mercadoria. Uma empresa no Paraná, por exemplo, recolherá um percentual diferente de outra situada no Rio de Janeiro.
Resumindo os principais impostos:
| Imposto | O que é | Alíquota |
| II — Imposto de Importação | Tributo federal sobre a entrada da mercadoria no país. Calculado sobre o valor aduaneiro (produto + frete + seguro). | 0% a 35%, conforme o NCM |
| IPI — Imposto sobre Produtos Industrializados | Incide sobre produtos industrializados. Calculado sobre o valor aduaneiro somado ao II já aplicado. | Varia conforme NCM e TIPI. Pode ser zero para essenciais e elevado para supérfluos |
| PIS | Contribuição federal destinada ao Fundo de Amparo ao Trabalhador. | 2,1% sobre o valor aduaneiro |
| COFINS | Contribuição federal voltada ao financiamento da Seguridade Social. | 9,65% sobre o valor aduaneiro |
| ICMS | Imposto estadual. Calculado “por dentro”, ou seja, incide sobre a própria base de cálculo, o que eleva o custo final. | 12% a 20%, conforme o estado de destino |
E a Reforma Tributária? O que muda na importação?
O sistema tributário brasileiro está em transição. Desde janeiro de 2026, dois novos tributos entraram em fase de testes: a CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços), que substituirá o PIS e o COFINS, e o IBS (Imposto sobre Bens e Serviços), que ocupará o lugar do ICMS. Por enquanto, as alíquotas são simbólicas, de 0,9% e 0,1% respectivamente, totalizando cerca de 1% no período de adaptação. Os tributos atuais seguem sendo cobrados normalmente durante essa fase.
Importante: as regras da Reforma Tributária ainda passam por regulamentações e fases de implementação, o que exige acompanhamento constante da legislação aplicável.
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Entender os tributos é uma etapa importante da importação, mas ela é apenas parte da operação. Antes de a mercadoria chegar ao Brasil, existem decisões relacionadas à escolha de fornecedores, classificação fiscal, documentação, logística e planejamento tributário que influenciam diretamente o custo e a previsibilidade do processo.
A Importa Coletiva apoia empresas em toda a jornada de importação da China, conectando sourcing, operação e acompanhamento logístico em uma experiência mais organizada. Do desenvolvimento de produtos e private label à importação de equipamentos e maquinário, nosso objetivo é ajudar empresas a importar com mais clareza, controle e eficiência operacional.
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